Observando os Rios - SP

Detalhes do Grupo

Comissão de Moradores da Região do Riacho Água Podre

Pinheiros-Pirapora

16/04/2003

ONG Ambientalista

Misto

Riacho Água Podre (Afluente do Córrego Jaguaré)

R Cel Paulo Soares Moura, 300

São Paulo - SP

Comissão de Moradores da Região do Riacho Água Podre

Cesar S. Pegoraro

Fabiana F. Lobo


Felipe Pegoraro

Diana Basei

Camilo Pegoraro

Aildes dos Santos

Dumara Lima

Elder Magalhaes

Avaliações
Cadastradas
Nota Final
2003
19/12/2003 21,00 - Ruim
2004
22/01/2004 22,17 - Ruim
16/02/2004 25,00 - Ruim
17/03/2004 26,92 - Aceitável
17/04/2004 23,69 - Ruim
17/06/2004 23,00 - Ruim
20/08/2004 24,00 - Ruim
19/09/2004 20,46 - Ruim
22/11/2004 23,69 - Ruim
18/12/2004 21,54 - Ruim
2013
20/11/2013 21,00 - Ruim
18/12/2013 17,82 - Péssima
2014
21/01/2014 17,50 - Péssima
19/02/2014 19,83 - Péssima
21/03/2014 22,62 - Ruim
23/04/2014 24,00 - Ruim
26/05/2014 21,00 - Ruim
21/06/2014 21,54 - Ruim
19/07/2014 22,62 - Ruim
14/08/2014 23,69 - Ruim
22/09/2014 16,15 - Péssima
23/10/2014 18,31 - Péssima
19/11/2014 21,00 - Ruim
20/12/2014 19,38 - Péssima
2015
23/01/2015 20,46 - Ruim
21/02/2015 16,15 - Péssima
25/03/2015 21,54 - Ruim
24/04/2015 20,46 - Ruim
26/05/2015 19,38 - Péssima
23/06/2015 20,46 - Ruim
25/07/2015 18,31 - Péssima
23/08/2015 19,38 - Péssima
23/10/2015 17,50 - Péssima
21/11/2015 22,91 - Ruim
19/12/2015 20,36 - Ruim
2016
20/02/2016 21,00 - Ruim
18/03/2016 19,38 - Péssima
24/04/2016 19,83 - Péssima
25/06/2016 21,00 - Ruim
28/07/2016 18,67 - Péssima
27/08/2016 21,54 - Ruim
24/09/2016 20,46 - Ruim
21/10/2016 20,46 - Ruim
26/11/2016 20,46 - Ruim
17/12/2016 20,46 - Ruim
2017
21/01/2017 17,23 - Péssima
25/02/2017 18,31 - Péssima
16/03/2017 19,83 - Péssima
25/03/2017 19,83 - Péssima
20/05/2017 19,83 - Péssima
22/06/2017 21,00 - Ruim
17/07/2017 18,67 - Péssima
26/08/2017 19,83 - Péssima
27/09/2017 21,00 - Ruim
18/10/2017 19,83 - Péssima
23/11/2017 23,33 - Ruim
Grupo Ativo
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O GEMA iniciou suas atividades em 2000 com a formulação de um Programa de Coleta Seletiva para escolas. Tal programa visava envolver toda a escola, desde os alunos até os funcionários, num projeto que estimulava novos hábitos e o resultado da coleta era revertido para coopertivas de catadores. Para disseminar a metodologia das atividades de integração com a natureza e jogos cooperativos, foram realizados inúmeros cursos e oficinas para educadores. Partitipamos de inúmeras articulações públicas visando a melhoria das condições de vida e envolvimento comunitário nas soluções para esses desafios.

Atualmente temos concentrado esforços em desenvolver materiais audio-visuais para auxixliar nos processo educacional infato-juvenil. Também temos participado de algumas articulações na região do Butantã para envolver a comunidade local nas discussões públicas e solução dos desafios locais.



Políticas imediatistas desviam atenção da degradação ambiental



No bairro paulistano do Butantã, o trabalho mais amplo e contínuo de educação ambiental junto às comunidades carentes esbarra na falta de políticas públicas para a solução de problemas como saneamento básico e enchentes do córrego local



O nome do córrego é Água Podre. E não se trata de uma expressão exagerada, na medida em que recebeu este pouco simpático qualificativo pela decomposição orgânica em sua água que acabava provocando um mau cheiro forte e característico. É nas águas do Água Podre, localizado no bairro do Butantã, capital paulista, que desde 2004 o Grupo de Educação para o Meio Ambiente (GEMA) faz o trabalho mensal de monitoramento da sua qualidade. “O grupo nasceu em 2001 com propostas de educação ambiental”, explica César Pegoraro, biólogo, monitor da sub-bacia Guarapiranga no ‘Mãos à Obra pelo Tietê’ e um dos fundadores do GEMA, que concentrou suas primeiras atividades em cursos sobre coleta seletiva em escolas públicas, incluindo dinâmicas de integração e jogos coorporativos.



O trabalho educacional foi aos poucos se estendendo para outros aspectos da relação entre o homem e o meio ambiente, sem deixar de lado o fio condutor dessa relação, que irá determinar boa parte do futuro comum: o diálogo direto com crianças e jovens para que se possa imprimir noções de preservação e recuperação ambiental desde cedo. “Um dos nossos parceiros é o CEU Butantã, onde já tivemos oportunidade de realizar atividades com os alunos e freqüentadores sobre problemas ligados à conservação do meio ambiente”, conta Cesinha.



A partir das entidades que atuam com moradores do bairro surgiu o projeto Rede Butantã, que agrega cerca de 50 grupos em reuniões onde são pautados problemas de saneamento nas comunidades mais carentes, conselhos de representantes, seminários para a região, entre outros temas. “Nas reuniões com outras entidades a gente tem discutido sobre a canalização do córrego. Alguns acham que essa é a melhor solução; o GEMA é contra pois isso muda completamente o ciclo natural do rio. Temos apoio da subprefeitura do Butantã, que também se mostrou desfavorável a esse projeto”, explica o educador ambiental. E logo vem a alternativa à canalização: “Fazer campanhas junto às comunidades do entorno para não jogarem lixo no córrego. Mesmo com a coleta da prefeitura, a população insiste em fazer do local um depósito de lixo”. O esgoto e o lixo ali despejados agravam a situação da água e, conseqüentemente da saúde, segundo Cesinha, lembrando que o local está cheio de ratos que vão atrás dos restos de comida acumulados com o lixo. “A gente estava em conversa com a subprefeitura do Butantã para organizar mutirões de limpeza da área com as comunidades locais. Houve mudança na administração, mas estamos novamente em contato para retomar o projeto”, revela Cesinha.



O escopo do trabalho de educação comunitária abrange diversos elementos; envolve organização de atividades, infra-estrutura para possibilitar a mobilização da comunidade, tempo para se estabelecer um diálogo contínuo com os moradores do bairro e outros aspectos que todo educador conhece muito bem. Diante de tal complexidade, o apoio a lideranças locais se transforma num caminho bastante sólido para se aproximar das populações excluídas economicamente, sobretudo para entender a complexidade das carências de uma realidade na qual as pessoas se inserem como estranhas.



Com um caráter próprio de quem sabe o significado de uma conquista, Cesinha aposta na capacitação de pessoas dispostas a mudar gradativamente o olhar da população sobre o ambiente em que vive. “A gente percebe que os moradores das comunidades do bairro estão muito mais ligados à cultura denuncista. Existe a preocupação em denunciar, mas não há um interesse em atuar como agente participativo na criação de propostas e soluções para melhorar as condições locais”, explica Cesinha. O educador conta que algumas comunidades já se organizaram para elaborar sugestões sobre a preservação dos recursos ambientais da região. Nosso grupo se encarrega de oferecer o suporte necessário à capacitação das lideranças locais que, por sua vez, disseminam o conhecimento adquirido entre as escolas do bairro.



Mas nem sempre foi fácil estabelecer um diálogo com as comunidades do entorno do córrego, sobretudo quando se trata de despertar a percepção das pessoas para o agravamento da degradação ambiental. O educador do GEMA conta que certa vez, ao coletar água para análise, foi abordado por um rapaz que lhe disse que aquilo não levaria a nada, pois, segundo ele, o córrego já estava morto e o melhor seria passar concreto por cima. “Justamente naquele dia fazia muito calor e eu comecei a explicar para o cara que o concreto ali só faria elevar ainda mais a temperatura. ‘Com um calor desses’, perguntei, ‘você não acha que seria muito melhor, ao invés de um grande bloco de concreto, ter um córrego limpo para as pessoas se refrescarem?’. O rapaz parou, pensou um pouco e acabou sentando comigo para discutir meios de reverter tal situação”, narra Cesinha.



Por aí se percebe o quanto é possível o trabalho de sensibilização para as questões ambientais. Assim como a urdidura dos fios é essencial para se compor uma trama, dialogar com fatos – seja por meio de números ou estatísticas – é vital para que as pessoas tragam à tona propostas alternativas ao descaso do poder público.



Nesse sentido, Cesinha reconhece o valor da popularização dos conceitos de saneamento básico, perceptível, sobretudo, nas discussões levantadas entre os grupos que participam da Rede Butantã. “No contato com as comunidades, a gente procura enfatizar que o problema do esgoto pode ser preventivo”, ensina ele. Aos órgãos públicos responsáveis cabe fornecer o serviço de saneamento básico para o esgoto; quanto a isso, não há o que contestar. Menos ainda, diante do fato de que existem estudos, conforme aponta o educador do GEMA, mostrando que para cada 1 real investido em saneamento, economiza-se 5 reais em saúde.



Já para as comunidades do entorno do córrego fica a tarefa de não transformar o local em um depósito de lixo a céu aberto. “Quando a gente leva a garotada das comunidades para visitar outras paisagens, como a represa de Guarapiranga, tenta justamente levar a essa compreensão, de que a questão ambiental vai além de seu próprio meio e não existe só em paisagens consideradas belas”, completa Cesinha.